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etapa 9 - segunda-feira 15 de Janeiro de 2007 | Tichit - Néma

  • Especial 494 km
  • Ligação  3 km
  • Total  497 km

Filme da etapa

Um único erro (moto)

023 - Janis Vinters
301 - Giniel de Villiers
303 - Carlos Sainz
310 - Jean-Louis Schlesser
310 - Jean-Louis Schlesser

A anomalia da caixa de velocidade que afecta as novas KTM 690 martela sem dúvida num cantinho do cérebro do líder da corrida de motos, Marco Coma. Mas isso não o impede de continuar o seu caminho triunfante para Dakar. Nesta 9ª etapa do rali, o Catalão passou mais um dia solitário. Tendo partido em primeiro e chegado em primeiro, sem ter feito o melhor tempo: eis uma gestão da corrida à moda do Coma.

O vencedor desta 4ª etapa mauritana ainda não deu nas vistas desde o início do rali. Janis Vinters, 10.º no ano passado, surpreendeu toda a gente ao conseguir o melhor tempo em todos os CP, antes de passar a linha de chegada com um avanço de 7’ 31’’ sobre Cyril Despres.

Lá atrás, e bem lá atrás, os adversários de Coma não puderam fazer nada. O seu delfim, Cyril Despres, vítima de uma queda no quilómetro 130, tinha começado a especial com instrumentos de navegação inutilizados e teve que percorrer toda a especial a desenrolar manualmente o seu Roadbook. Nestas condições era difícil ganhar tempo ao maestro Catalão, que continua bem à cabeça do rali, após só ter perdido 22 segundos a favor do francês. A diferença continua a ser de 54’ 36’’. Quanto a Pal-Anders Ullevalseter, feliz por se ter instalado no Top 5 da geral, esse contentou-se em apanhar e seguir Despres ate 30 km do fim da etapa. O Norueguês termina em 4.º lugar a 7’53’’ do vencedor.

Giniel de Villiers pretendia ser um piloto infalível no Dakar. Desde a sua chegada ao rali em 2003, terminou sistematicamente nos lugares de honra, ao volante de veículos frequentemente reconhecidos como veículos com múltiplas imperfeições. E a sua maneira de conduzir, segura e viva, a sua inteligência e lucidez desde Lisboa, tinham-no colocado nos trilhos de um sucesso merecido em Dakar. Stéphane Peterhansel, especialista dos especialistas, reconhecia mesmo em Tichit que «Giniel é um piloto muito bom. Creio que não teve um único furo no rali e nunca ficou enterrado na areia». Mas acrescentou também que “é tudo possível num Dakar». Com efeito, a bela aventura durou apenas 5255 quilómetros este ano para o De Villiers. No quilómetro 130 da especial, turbo do Race Touareg Volkswagen número 301, líder da classificação geral, começou a arder ao pé do Rochedo dos Elefantes. Um lindo lugar para uma derrota.

Respeitador da situação, o Sul-Africano não embarca em dramas. Uma mãozada ao seu co-piloto, Dirk Von Zitzewitz, e toda a gente compreendeu que as esperanças de vitória se esfumaram definitivamente. Condenado a esperar pela sua equipa de assistência para poder chegar a Nema puxado à corda, pode dizer adeus à vitória. Dignamente.

Após o azar de Sainz na véspera, a situação parece beneficiar os Mitsubishi de Peterhansel e Alphand. Mas um mal quase nunca vem só. O confronto entre os azuis e os vermelhos vem à baila sob o efeito conjugado de um infeliz contratempo, antes do CP1 para Peter (parado devido a um problema de embraiagem cerca de dez minutos), e de um assomo de orgulho do piloto espanhol, que passou com a melhor tempo no CP1. Contudo, a acalmia do ex-campeão do mundo de ralis não dura muito tempo, também ele traído pela técnica neste dia a seguir a uma etapa sem assistência. O número 303 ficou bloqueado a cerca de 50 km do CP2 com uma avaria electrónica. Nem Miller, nem Sousa, que passaram ambos alguns momentos à assistir Sainz, conseguiram encontrar a solução milagrosa.

A via parece, pois, livre para os dois tenores da Mitsubishi. Mas os acontecimentos do dia mostram que as especulações são muitas vezes arriscadas no Dakar. Tanto mais que Jean-Louis Schlesser, que assinou o melhor tempo do dia e o quarto da geral a 2’11’’ de Al Attiyah, consola-se com esta posição de outsider. A corrida entre Peterhansel e Alphand também poderia provocar desgastes.

Na corrida de camiões, Wulfert Van Ginkel impõe-se primeira vez da sua carreira numa especial do Dakar. O Neerlandês, ao volante de um camião GINAF, precede o seu compatriota Hans Stacey de mais de 12 minutos. É uma diferença que corresponde ao tempo perdido pelo líder da classificação geral devido a um furo. Stacey aumentou mesmo assim a sua vantagem na geral e conta mais de 3 horas de avanço em relação ao segundo, Ilgizar Mardeev, 7.º desta etapa.