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etapa 8 - domingo 14 de Janeiro de 2007 | Atar - Tichit

  • Ligação  35 km
  • Especial 589 km
  • Ligação  2 km
  • Total  626 km

Entrevistas

Cyril Despres (FRA – KTM Gauloises – 2.º) (moto)

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

Foi realmente uma linda etapa, com 150 quilómetros muito exigentes no fim do percurso: só há curvas naquela areia mole, com erva de camelo desde que a gente saia um pouco da pista. A meio percurso desta especial, tivemos praticamente 200 k de vento e areia de frente. Numa dada altura caí numa duma e perdi muito tempo para levantar a moto. Foi mais ou menos nessa altura que o Marc me apanhou. Depois continuamos juntos sem nos atacarmos um ao outro, porque o ritmo já era suficientemente elevado. Fisicamente, sinto-me cansado, porque é a primeira etapa realmente difícil. Imaginem que é quase como se tivéssemos acabado uma etapa de Paris a Marselha em moto, mas só por pequenos caminhos! No fundo até estou encantado. É isto o Dakar, quer dizer uma corrida de enduro no deserto. E o que é interessante para mim, é que não tenho talvez a velocidade de Coma em 200 Km, mas em 600, tenho. É possível vencer com um simples empurrãozinho da sorte, só por causa da mecânica. Temos todos medo das caixas de velocidade. Ninguém está o abrigo de ter um percalço a esse nível. A vantagem é que já perdi o Dakar à cinco ou seis dias e encontro-me agora em segundo lugar a 54 minutos. Ninguém pode dizer actualmente quem irá ganhar o rali. O problema é que há uma peça defeituosa em qualquer parte das nossas motos, mas não podemos acusar ninguém. A KTM não tem os mesmos meios que Mitsu ou VW em automóveis. Pessoalmente, há mais de seis anos, e talvez 150.000 Km, que conduzo para eles e nunca tive problemas antes deste ano.


Pal Anders Ullevalseter (NOR – KTM – 3.º) (moto)

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

Passei o maior parte do dia sozinho. Não consegui seguir o ritmo de Coma a partir do quilómetro 150. Ele é realmente impressionante. Não comete nenhum erro. Mas passei um dia agradável, sentia-me bem. Não cometi erros de navegação. Esta noite vou ter que mudar as rodas porque havia muitas pistas pedregosas. No que respeita à classificação geral: antes da partida eu visava um lugar no Top 5, agora quero viver o dia-a-dia. Quero fazer o meu trabalho e é tudo. Começaremos a pensar na táctica daqui a alguns dias, esperando sempre que os outros cometam alguns erros.


Marc Coma (ESP - KTM Repsol - Vencedor) (moto)

A etapa foi longa e desgastante: andar 8 horas em cima de uma moto não é fácil. No início havia muito pedregulho, depois pedras e areia misturadas. Em seguida, as coisas melhoraram em termos de terreno. Consegui apanhar Cyril (Despres) e no CP 2 soubemos que Isidre (Esteve) tinha problemas. Depois continuei com o Cyril num bom ritmo, mas sem forçar. Tenho pena do Isidre, porque havia uma bonita zaragata e era um bom espectáculo. Mas a corrida ainda não terminou. Só dei um pequeno passo em frente. As pessoas que conhecem o rali sabem que a Mauritânia é muito exigente. Enquanto não sairmos daqui... Amanhã vou partir em primeiro lugar e isso é sempre muito delicado. Será necessário estudar bem o Roadbook.


David Casteu (FRA – KTM Gauloises – 4.º) (moto)

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

Estou triste com o que acaba de acontecer ao Isidre. Era o único que podia opor-se a Coma. Agora vai ser muito mais complicado de lutar contra ele. Eu cometi um erro no início do percurso. Penso que andei à procura de um terreno para comprar na Mauritânia! Nem sequer vi o Isidre e o Marc a ultrapassar-me. Quando reencontrei a rota, só vi que havia mais traços na areia que antes. De certo modo é por isso que eu não perdi muito tempo. Mas é também porque não me esqueci que estávamos a correr uma etapa maratona. Foi por isso que preservei a minha máquina. No fim de contas, a moto não tocou no chão uma única vez e era isso o que queria. A quebra da caixa de velocidades é evidentemente um risco. Posso dizer que cada vez que meto uma velocidade faço-o com delicadeza. Como se fosse uma mulher!


Isidre Esteve (ESP - KTM Gauloises – 34.º) (moto)

De manhã correu tudo bem. No CP1, tudo funcionava. Estava com Cyril (Despres) e Marc (Coma). Mas no quilómetro 230, a caixa de velocidade partiu. E a chegada da especial estava marcada para o km 589! Toda a distância a percorrer em 1ª! É realmente um enorme azar. Mas há que ver as coisas positivamente: a 40 km/h pude pelo menos ver a paisagem! Quanto ao resto, lá se foram as possibilidades de ganhar, mesmo se a corrida só termina em Dacar. Esta noite vamos trabalhar em mecânica com o motor novo que é o T4 de assistência. Nem sei a quantos minutos estou hoje. Vou ver isso de perto e depois divertir-me um pouco.


Isidre Esteve (ESP - KTM Gauloises – 34.º)

De manhã correu tudo bem. No CP1, tudo funcionava. Estava com Cyril (Despres) e Marc (Coma). Mas no quilómetro 230, a caixa de velocidade partiu. E a chegada da especial estava marcada para o km 589! Toda a distância a percorrer em 1ª! É realmente um enorme azar. Mas há que ver as coisas positivamente: a 40 km/h pude pelo menos ver a paisagem! Quanto ao resto, lá se foram as possibilidades de ganhar, mesmo se a corrida só termina em Dacar. Esta noite vamos trabalhar em mecânica com o motor novo que é o T4 de assistência. Nem sei a quantos minutos estou hoje. Vou ver isso de perto e depois divertir-me um pouco.


Giniel De Villiers (AFS – Volkswagen – Vencedor) (automóvel)

Foi um dia muito difícil. As primeiras dunas eram muito moles embora nos tivessem dito no briefing que seria sobretudo a segunda parte que poria problemas. Passámos, mas no limite do possível. Depois, na segunda série de dunas parámos para esvaziar um pouco os pneus por precaução, mas não era realmente necessário. É pena, porque perdemos 5 ou 6 minutos. As coisas começaram depois a complicar-se. Era muito difícil conduzir convenientemente naquelas pistas pedregosas e sinuosas. Foi uma excelente operação o termos recuperar algum tempo às Mitsubishi. Amanhã teremos que fazer a mesma coisa. Na geral, 30 minutos de avanço não é grande coisa. Pudemos ver hoje com o caso de Carlos Sainz que os problemas podem custar muito caro.


Nasser Al Attiyah (QAT – BMW – 4.º) (automóvel)

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

Foi uma etapa longa e difícil. Estou contente por termos podido evitar os problemas. Ataquei nas partes rápidas e tive muito cuidado nas partes perigosas. O automóvel anda bem e não tivemos nenhum problema: nem furo, nem ficamos presos na areia. Nada disso. Quanto à classificação geral, prefiro não pronunciar-se. É melhor esperar.


Stéphane Peterhansel (FRA – Mitsubishi – 2.º) (automóvel)

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

Perdemos ainda muito tempo porque não pude fazer a especial que eu queria: tivemos dois furos nos vinte e cinco primeiros quilómetros. Como não tínhamos outra roda de reserva, andei sempre com o coração na mão durante o resta da etapa. No total, o resultado não é assim tão mau, porque ganho um lugar embora perca tempo em relação ao líder. O problema é que não paramos de dizer que precisamos de especiais difíceis, e quando aparece uma somos os primeiros a fazer asneiras. Para ganhar, a primeira coisa a fazer é conduzir perfeitamente, sem cometer erros. Se Giniel de Villiers está na frente é porque tem um bom automóvel, mas é sobretudo porque é um piloto muito bom. Penso que ainda não teve nenhum furo neste rali nem se deixou surpreender pela areia, mesmo se é ainda tudo possível daqui até Dacar. No ano passado, encontrava-me na mesma situação que ele nesta mesma altura e perdi tudo em seguida, ficando apenas em quarto lugar.


Stéphane Peterhansel (FRA – Mitsubishi – 2.º)

Perdemos ainda muito tempo porque não pude fazer a especial que eu queria: tivemos dois furos nos vinte e cinco primeiros quilómetros. Como não tínhamos outra roda de reserva, andei sempre com o coração na mão durante o resta da etapa. No total, o resultado não é assim tão mau, porque ganho um lugar embora perca tempo em relação ao líder. O problema é que não paramos de dizer que precisamos de especiais difíceis, e quando aparece uma somos os primeiros a fazer asneiras. Para ganhar, a primeira coisa a fazer é conduzir perfeitamente, sem cometer erros. Se Giniel de Villiers está na frente é porque tem um bom automóvel, mas é sobretudo porque é um piloto muito bom. Penso que ainda não teve nenhum furo neste rali nem se deixou surpreender pela areia, mesmo se é ainda tudo possível daqui até Dacar. No ano passado, encontrava-me na mesma situação que ele nesta mesma altura e perdi tudo em seguida, ficando apenas em quarto lugar.


Hans Stacey (HOL - Man - Vencedor) (camião)

Não esperava ganhar esta etapa. A minha intenção era observar o que fazem os outros. Estou contente e mais que contente. Também foi a primeira vez que fiquei estacado numa duna. Não foi um dia muito arenoso, mas era muito difícil passar as dunas. A 100 quilómetros da chegada, estávamos arrasados, esgotados e tudo o que quiserem, mas sem forças. E terminar foi mais um castigo. Felizmente que o Roadbook está muito bem feito. Foi só segui-lo e chegamos. Sem ele, andávamos ainda agora às aranhas no deserto. Mas a verdade é que estamos exaustos!...