etapa 15 - domingo 21 de Janeiro de 2007 | Dakar - Dakar
- Ligação 36 km
- Especial 16 km
- Ligação 41 km
- Total 93 km
Entrevistas
Cyril Despres (FRA – KTM Gauloises – Vencedor) (moto)
Há muito tempo que eu esperava este enlevo do último dia da prova. Eu era o único a acreditar nisso, após todas as dificuldades que tivemos no inÃcio do rali, sendo talvez por isso que estou tão orgulhoso. Se tivesse de escrever um livro sobre tudo o que se passou no rali, penso que 100 páginas não chegariam. Confesso que tive muitas dificuldades, montes de problemas, mas tive também muita sorte. Foi um Dakar de loucos... O momento mais difÃcil deste rali, foram os últimos trinta quilómetros da especial de Tambacounda, durante os quais pensei sempre na queda de Marc e não tinha qualquer informação sobre a seu estado. Nutrimos um enorme respeito um pelo outro. Há oito meses, quando tive o acidente de esqui e consegui escapar à avalancha, nunca pensei poder concentrar-me numa moto durante cinco minutos. Quando agora vejo o que consegui fazer, ou seja conseguir pilotar esta moto a este nÃvel durante tanto tempo, acho que foi uma grande vitória.
David Casteu (FRA - KTM Gauloises – 2.º da classificação geral) (moto)
Passei um mau bocado ontem. Pude finalmente reparar a alimentação de gasolina e abastecer-me, graças aos amadores. Felizmente, a partida do especial foi retardada de 30 minutos. Tive depois que atacar para não perder terreno em relação ao Blais. Atacar numa etapa destas, não estava no programa! Mas é isso o Dakar: há sempre coisas que acontecem e nunca ninguém pode afirmar que já ganhou a corrida. Vim lutar e fiquei em 2.º lugar. É fantástico! Numa vida de piloto profissional, é um momento majestoso. Agora, vou analisar tudo isso e pensar no futuro. Ganhar o Dakar será doravante um objectivo.
Chris Blais (USA – KTM – 3.º na geral) (moto)
Parece-me estar a sonhar! Estou a pensar o que vai ser a minha chegada aos Estados Unidos. Era necessário continuar no bom caminho e que houvesse um americano no pódio. O mais importante num Dakar é manter-se constante. Para mim, foi esse o segredo do meu sucesso. Senti-me muito melhor do que nas edições anteriores. Cyril Despres provou mais um vez que era o melhor, graças à sua visão e inteligência na corrida. O meu próximo objectivo será ganhar o Dakar e, hoje, eu sei que isso é possÃvel.
Pal Anders Ullevalseter (NOR – KTM – 4.º da geral) (moto)
Sinto-me realmente bem. Foi um Dakar muito difÃcil para mim. Tive um grande acidente em Marrocos e perdi muito tempo. É por isso que estou muito contente de ter chegado ao Lago Rosa no Top 5. Era o meu objectivo à partida do rali, mas tudo se complicou rapidamente. Cyril (Despres) é realmente o melhor, mas sinto muito triste com o que aconteceu ao Marc Coma.
Helder rodrigues (POR - Yamaha – 5.º da geral) (moto)
O meu objectivo era entrar no Top 5 e ganhar pelo menos uma etapa. Fiquei em 5.º lugar na geral e ganhei duas etapas. Estou portanto muito satisfeito com o resultado. Trabalhámos muito para o conseguir. A equipa é a melhor e a moto também. Não pude privilegiar a preparação do Dakar, por causa da temporada de enduro. Mas no próximo ano vou alterar as prioridades e dedicar mais tempo à preparação do rali.
Stéphane Peterhansel (FRA – Mitsubishi – Vencedor) (automóvel)
Não é a mais fácil das minhas vitórias! Já me aconteceu ganhar com mais de uma meia hora de avanço e, desta vez, foi preciso lutar até ao último minuto. Numa primeira fase, fomos atacados pelos Volkswagen e tivemos que manter toda a calma, deixá-los andar. Mas finalmente essa fase foi resolvida de uma maneira desportiva. Depois começou a luta com Luc. Uma luta muito delicada, até porque ficamos muito perto um do outro na classificação. E tudo isso é um mundo de stress. Não me sinto incomodado por não ter ganho nenhuma especial. Quando se fixa um objectivo, como a vitória por exemplo, não se pode pensar ganhar etapas. Aprendi a agir desta maneira aquando da minha primeira vitória em moto num rali africano, onde também ganhei a geral sem ter vencido nenhuma etapa.
Luc Alphand (FRA – Mitsubishi – 2.º) (automóvel)
O que posso dizer é que a equipa fez um trabalho gigantesco e que no fim de contas terminámos com dois automóveis nos dois primeiros lugares da classificação geral. À partida, querÃamos ganhar para homenagear Henri Magne, que nos deixou no rali de Marrocos, e hoje também penso nisso, muito embora isso seja uma magra recompensa para ele e os seus próximos. Quanto a este segundo lugar, não me posso queixar porque, nos últimos três anos em que participei no Dakar, fiquei duas vezes em segundo lugar e ganhei uma vez. Não é assim tão mau como resultado. O Stéphane é um grande concorrente, mas não é invencÃvel e eu ainda não disse a minha última palavra no Dakar. Esta corrida foi muito longa e cometi vários pequenos erros. Nem sempre é o veÃculo mais rápido que ganha, mas antes aquele que comete menos erros. É possÃvel que tenho cometido mais um erro do que ele.
Mark Miller (USA – Volkswagen – 4.º da geral) (automóvel)
Como é bom terminar! Sente-se um ânimo interior especial quando se chega ao Lago Rosa, seja qualquer for a nossa classificação. A Volkswagen fez realmente um bom trabalho neste Dakar. Vim cá para ganhar o Dakar e este 4.º lugar é uma pequena decepção. Só nos faltou um pouco de sorte. Provámos que tÃnhamos a velocidade e um bom elenco. É prometedor para o futuro.
Hiroshi Masuoka (JAP – Mitsubishi – 5.º da geral) (automóvel)
Estou contente por terminar, sobretudo porque não terminei os dois últimos Dakars. Esperava ficar no Top 3, para haver três Mitsubishi no pódio. Infelizmente não foi possÃvel. Tivemos muito fraca sorte num dia cheio de problemas mecânicos e isso basta para perder um Dakar. Estou confiante para o futuro. Este ano disputei o meu 20.º Dakar e voltarei sem dúvida com a esperança de ganhar a corrida na minha 21.ª participação.
Jean-Louis Schlesser (FRA - Schles/Ford – 3.º da geral) (automóvel)
É evidente que estou contente. Isso vê-se. Não podemos ser demasiado exigentes! O que é interessante é ter terminado em 1.º lugar da categoria duas rodas motrizes. Esta categoria tem um orçamento muito pequeno comparado com o dos outros e será necessário que o legislador nos ajude. Não só a mim, mas a toda a categoria.
Com este resultado partirei daqui mais forte e voltarei para conquistar o 1.º lugar. O Dakar continua a ser o Dakar ! Só por si, chegar a Dacar já é uma vitória. A prova foi longa e muito dura. Não nos esqueçamos que este ano tivemos especiais muito exigentes, com um ritmo muito elevado desde o inÃcio, e que houve uma etapa maratona até Tichit e depois até Nema. Foi um Dakar terrÃvel! É por isso que eu digo que este resultado é precioso.