início da página(Alt+h) ir à navegação(Alt+n) ir ao conteúdo(Alt+c)

etapa 10 - terça-feira 16 de Janeiro de 2007 | Néma - Néma

  • Ligação  10 km
  • Especial 366 km
  • Ligação  24 km
  • Total  400 km

Os concorrentes Portugueses

- HÉLDER RODRIGUES BRILHA SOBRE AS ÚLTIMAS DUNAS

010 - H. RODRIGUES

Hélder Rodrigues atacou forte nos 366 quilómetros cronometrados da ronda que os concorrentes descreveram em redor de Néma e ganhou a aposta, ou melhor, a décima etapa do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007. Para o piloto da Yamaha, tratou-se “de um sucesso marcante, pois foi a primeira vez que consegui impôr-me numa etapa em Ãfricaâ€, depois de ter conseguido um terceiro lugar em 2006 e de ter vencido já este ano a segunda etapa, em Portimão. Num traçado que considerou “muito técnicoâ€, Hélder Rodrigues impôs-se por uma vantagem de somente 44 e 51 segundos face às KTM oficiais de Marc Coma e Cyril Desprès, a dupla que segue na liderança da prova. “Para conseguir batê-los com a Yamaha 450, tive de dar sempre o máximo, perdendo algum terreno nas zonas mais rápidas, mas compensando nas secções que exigiam uma condução mais técnicaâ€, explicou o piloto, que se tornou também no primeiro piloto português a conseguir vencer duas etapas na mesma edição do “Dakarâ€.

Graças a este resultado, Hélder Rodrigues logrou ascender ao sexto posto absoluto, melhorando um lugar na classificação geral onde agora antecede Isidre Esteve Pujol. Por coincidência, o piloto catalão sucedeu a Rodrigues na lista dos vencedores das etapas desta edição do “Dakarâ€, impondo-se na primeira tirada em Marrocos, logo a seguir ao triunfo do português em Portimão; essa vitória permitiu a Pujol instalar-se na liderança, enquanto que Hélder Rodrigues desceu para o sexto lugar, exactamente a mesma posição que agora logrou recuperar ao adiantar-se ao piloto da KTM por escassos oito segundos.

Assinale-se que permanecem em prova cinco dos onze “motards†que alinharam à partida de Lisboa. Para além de Hélder Rodrigues, encontram-se na caravana Paulo Gonçalves (Honda), Nuno Mateus (KTM), Bianchi Prata (Yamaha) e Carlos Ala (KTM). Seriamente atrasado na etapa Atar-Tichit, a oitava, Paulo Gonçalves ocupa o 32º posto absoluto após ter estabelecido o 12º lugar na ronda em torno de Néma, “conseguindo recuperar alguns lugares, que me permitem acreditar que ainda estou em condições de lutar por um resultado idêntico ao do ano passado, em que terminei em 25º da geralâ€. Para o piloto de Esposende, fica “a consciência de ter feito o melhor possível, demonstrando que estou em condições de discutir um lugar mais alto na classificaçãoâ€.
O mesmo diz Nuno Mateus, o único “sobrevivente†da equipa SpeeDakar, que deixou de ter a companhia de Ricardo Pina logo após a terceira etapa, quando a prova entrou em Marrocos, assistindo também ao abandono de Ruben Faria, na oitava etapa. Queixando-se de dores numa das mãos, devido a uma queda há alguns dias, de que ainda não recuperou totalmente, Nuno Mateus foi o 48º na décima etapa, o que implicou atrasar-se um pouco mais, descendo para o 35º posto absoluto. Segue-se, meia centena de lugares mais abaixo, Carlos Ala, que mantém a sua “estratégia para conseguir chegar a Dakar pela terceira vez em outras tantas participações, e que se resume a adoptar um compromisso de andamento que não sacrifique nem a mecânica, nem o pilotoâ€; acrescente-se que Ala tem sido melhor sucedido a poupar a sua KTM 660 Rally, pois os quase sete mil quilómetros percorridos e as dez noites mal dormidas no acampamento “deixam mais do que olheiras no rostoâ€. Ao contrário de Ala, Pedro Bianchi Prata, que encerra o plantel dos “motards†portugueses, é um estreante, mas nem por isso este “Dakar†representou uma descoberta, “porque já tinha alguma experiência de rolar em Ãfrica e no ano passado acompanhei uma parte a dar assistência ao Hélder Rodrigues, o que me permitiu ficar com uma noção do ambiente e de algumas das exigências da provaâ€. Determinado em ser o “anjo da guarda†de Hélder Rodrigues, Bianchi sacrificou um pneu traseiro na sexta etapa para que o seu companheiro de equipa não comprometesse as suas possibilidades de discutir um dos lugares da frente; daí em diante, para o piloto da Yamaha tornou-se importante apenas prosseguir em prova e em condições de apoiar o seu parceiro, sempre que necessário. Por isso mesmo, o 108º lugar que Bianchi Prata ocupa nesta altura chega perfeitamente para os seus objectivos, tanto mais que desde o primeiro atraso importante o piloto deixou de pensar num resultado.

Também presente em Néma, mas já fora da caravana, João Nazareth bem tentou levar o quad Yamaha até à capital do Senegal, mas não conseguiu sequer concluir a nona etapa, onde foi forçado a desistir. Ficou, no entanto, a certeza de uma valiosa experiência, “que por certo permitirá preparar ainda melhor a próxima participaçãoâ€. Para além disso, Nazareth assinalou a sua estreia no “Dakar†com um papel de protagonismo na classificação dos quads, cuja liderança chegou a discutir, tendo sido o mais rápido em duas etapas.

- DEZ EQUIPAS PORTUGUESAS RESISTEM NAS “QUATRO RODASâ€

313 - C. SOUSA / A. SCHULZ
323 - M. BARBOSA / M. RAMALHO

Após a última etapa inteiramente decorrida nos cenários desérticos do Sahara, permanecem em prova 10 das 16 equipas portuguesas que alinharam nas “quatro rodasâ€, um grupo em que se contaram à saída de Belém quinze automóveis e um camião. Este último, o MAN M2000 de Elisabete Jacinto, ocupa a 22ª posição, cumpridas dez etapas. “Esta última tirada não nos correu da melhor forma e isso reflectiu-se no resultadoâ€, justifica a piloto do camião laranja, que concluíu o sector selectivo da ronda de Néma no 28º lugar. Elisabete, que partilha o habitáculo do seu MAN com Ãlvaro Velhinho e com Rui Porêlo – o navegador e o mecânico de bordo – confia “que é possível recuperar mais alguns lugares nos próximos dias, pois estamos separados dos concorrentes anteriores para escassos minutosâ€.

Terminar, seja em que lugar for, “será uma vitóriaâ€, garantem, por seu turno, Luís Ferreira e Pedro Sereno, dupla que desde a entrada na Mauritânia somente conseguiu terminar uma etapa ainda antes de anoitecer. Aconteceu hoje, quando chegaram ao Néma ainda a tempo de assistir ao pôr do sol no acampamento, “o que permite fazer uma revisão ao Land Rover Defender 110 antes de irmos jantar e assistir ao briefing sobre a próxima etapaâ€. Obtendo o 108º posto na etapa, esta equipa está colocada um lugar acima, em termos de classificação geral.

Na frente da contagem dos automóveis, a etapa registou o primeiro sucesso de Nasser Al-Attiyah (BMW), uma vitória que Carlos Sousa admite ter-lhe escapado: “Os 366 quilómetros deste sector selectivo parece terem sido desenhados à medida do Volkswagen Race Touareg 2 e do meu estilo de condução, mas a ficar sem tracção atrás tornou-se impossível manter um ritmo rápido e eficaz, bem pelo contrário, a minha preocupação passou a centrar-se em conseguir trazer o carro de volta ao acampamento, para que os técnicos vejam o que sucedeu e o reponham em condiçõesâ€. Carlos Sousa e Andreas Schulz registaram uma hora e onze minutos de atraso face ao vencedor da etapa, mas prosseguem no sétimo lugar absoluto.

Pela inversa, o mais rápido dos automóveis portugueses nesta etapa colocou-se no 13º posto à chegada a Néma, mas o seu posicionamento em termos gerais é bastante mais atrasado, ocupando o 31º lugar absoluto. Referimo-nos à Nissan Navara de Miguel Barbosa e Miguel Ramalho, que depois de uma verdadeira colecção de problemas mecânicos e alguns demorados atascansos à mistura, “desta feita não nos desapontou, permitindo-nos imprimir um andamento bastante mais forte e chegar próximo dos melhoresâ€, conforme referiu o piloto. Para Miguel Barbosa, “o único aborrecimento foi termos cumprido cerca de uma centena de quilómetros no pó de um concorrente que nunca nos permitiu ultrapassar. Por causa disso, tivémos de arriscar mais do que devíamos e acabámos por roçar numa árvoreâ€. Esta dificuldade só foi neutralizada quando Barbosa parou para trocar um pneu furado; então, o adversário que perseguia desapareceu no horizonte e… levou o pó atrás.

Sem grandes preocupações, “nem registo de problemasâ€, os irmãos Francisco e Nuno Inocêncio cumpriram a décima etapa a um ritmo “praticamente igual, pois à chegada dos 366 km a diferença entre os nossos dois Mitsubishi Pajero D-iD foi de 17 segundosâ€, comenta o “mano†mais velho. Francisco Inocêncio, que é acompanhado por Paulo Fiuza, foi o 40º na etapa e em termos absolutos está no 50º posto. Quanto ao “mano†mais novo, Nuno – que tem como navegador Jaime Santos – rubricou o 41º lugar na etapa e ocupa o 82º posto da geral.

Entre os dois irmãos está apenas posicionada uma equipa nacional: Nuno Ferreira e Nascimento Costa, que parece darem sentido à expressão “sorte de principianteâ€, pois mantêm-se discretamente na corrida, colocados num lugar a meio da tabela – o 64º posto absoluto – que é excelente para quem não só é estreante no “Dakarâ€, como tem uma experiência de competição mínima. “Antes de virmos para o Dakar apenas disputámos três provas em Portugalâ€, confessa Nuno Ferreira. O piloto de Tomar, que conduz um Bowler Wildcat V8 a gasolina, leva dois lugares de avanço ao veterano Paulo Marques, num Toyota Land Cruiser turbodiesel.

“É a décima quarta vez que corro no Dakar e a quarta que venho de automóvel, depois de uma dezena de participações em motoâ€, recorda Paulo Marques, como que para explicar que “esta prova já não tem grandes segredos, mas consegue sempre surpreender-nos um pouco. Hoje, na décima etapa, a fase inicial estava a correr-nos lindamente, mas depois as condições pioraram e não conseguimos manter o ritmoâ€, terminando a jornada no 67º posto. Assim, Marques e Rui Benedi, o seu navegador, estão no 84º lugar da classificação geral.

Também com a experiência de ter participado no “Dakar†em “duas frentesâ€, alinhando um par de vezes em quad e três em automóvel – contando com esta – Ricardo Leal dos Santos já pode ser considerado um conhecedor, mas nem por isso está livre de “descobrir novos problemas e ter de encontrar solução para os resolver. Foi o caso da nona etapa, que somente terminei a meio da noite, depois de ter vencido na só o percurso, como inúmeras dificuldades que afectaram o Mitsubishi Pajero D-iDâ€. Um cubo da roda gripado, a caixa de velocidades partida e uma fuga de óleo na caixa de transferências foram alguns dos problemas que Leal dos Santos teve de superar para conseguir chegar a Néma. “Atrasei-me imenso, mas como não houve tempo para resolver todos os problemas até à hora de partida da décima etapa, após ter passado pelo controlo parei para completar a reparação e atestar o depósito de combustívelâ€, pelo que “o cronómetro já contava três quartos de hora quando finalmente arranquei para o sector selectivoâ€. Nesta etapa, Leal dos Santos estabeleceu o 98º tempo, cabendo-lhe o 73º na classificação geral. É ainda o segundo entre os concorrentes dos automóveis que competem a solo.

Satisfeitos, apesar de relegados para uma posição modesta, Mário Ferreira e José Carlos Sousa formam a segunda dupla de estreantes que “sobrevivem†após uma dezena de etapas. Nesta última, levaram o Toyota Land Cruiser até ao 83º posto, mas na geral estão no 104º lugar. “Agora sentimos que o nosso carro está em perfeitas condiçõesâ€, referiu Mário Ferreira, enquanto que o seu companheiro, José Carlos Sousa realçou “que rolar pelas pistas de areia foi um verdadeiro prazerâ€. Uma das particularidades desta dupla é que nunca tinham participado em qualquer prova de automobilísmo: o Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 é uma estreia absoluta. Outra característica desta equipa é a polivalência dos seus elementos: dia sim, dia não, alternam entre o lugar do condutor e do navegador de serviço.