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Dia de repouso - sábado 13 de Janeiro de 2007 | Atâr

    Entrevistas

    Eric Bernard (FRA - KTM Gauloises – Chefe de equipa) (moto)

    Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

    A meio do percurso considero o nosso balanço positivo, embora gostássemos mais de estar na frente. Os nossos 4 pilotos encontram-se entre os 10 melhores. É um resultado excelente. Mesmo se o Frans (Verhoeven) perdeu ontem algum tempo devido a um erro. Temos assim Esteve (2.º), Casteu e(3.º) e Despres (4.º). Estamos numa posição de expectativa ideal. Isidre Esteve está a 10 minutos do líder. É pouco e muito ao mesmo tempo. Falta ainda passar 2 ou 3 dias determinantes. Os nossos pilotos atacarão no bom momento. Já sabíamos que Marc Coma era muito forte pelos resultados que fez este ano. Como eu também fui piloto, não quero pô-los sob pressão táctica. Entretanto, espero que haja um máximo de “Azuis†nos postos da frente. Se tivermos de optar por um estratégia de equipa, fá-lo-emos na etapa de Tambacounda a Dakar, sabendo sempre que Isidre é o nosso verdadeiro líder e que o David tem toda a liberdade de correr como ele o entenda.


    Johnathan Edwards (Chef da equipa KTM Red Bull) (moto)

    Chris Blais, o nosso motard, está em melhor posição do que no ano passado. Normalmente, nunca está entre os dez primeiros nesta fase do rali. Blais tinha previsto entrar em jogo após o descanso em Atar. Amanhã será um dia importante e nós preparamos o Chris para isso. É sobretudo o mental que deve ser trabalhado. Ficou muito abatido com a morte do seu amigo Elmer Symons e com o acidente de Jordi Viladoms a que assistiu. A organização do rali deu-lhe mesmo 13 minutos de compensação por ter parado e ajudado o Espanhol. Ficamos muito sensibilizados com o gesto da organização. O objectivo continua a ser o pódio. Chris correrá todos os dias baseando-se naquilo que ele próprio sente. É por isso que ele é excelente, mesmo se só tem 26 anos.


    Jordi Arcarons (ESP - KTM Repsol – Chefe de equipa) (moto)

    Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

    Se houvesse um prémio para o primeiro no dia de descanso, seria para nós. Mas o prémio ganha-se em Dacar. E daqui até lá a nossa estratégia será sempre a mesma: correr à nossa maneira e não perder as oportunidades que se apresentam. Temos que procurar fugir à uma pressão exagerada originada pela posição que ocupamos. Marc acredita em si e nós, a equipa, acreditamos nele. Temos confiança. Existe realmente uma equipa completa. Eu penso que não devemos sobrestimar as vantagens que isso comporta. Eu sou favorável a uma equipa de 3 motards. Foi isso que nós fizemos este ano. Um jovem (Viladoms) em fase de aprendizagem e um motard experiente (Sala). É uma boa complementaridade. Não sendo assim, haveria gente demais e muitos interesses diferentes. E, no fundo, é sobretudo necessário relativizar a ajuda de que um líder pode beneficiar. Neste Dakar, isso era importante na etapa maratona de Marrocos. Para resumir, confiança sim, mas sem excessos. Para ganhar, a equipa Gauloises terá, primeiro, de trabalhar muito...


    Sven Quandt (Chef da equipa BMW X- Raid)

    Tínhamos muita esperança no início do rali. Infelizmente tivemos muitos problemas. Jutta (Kleinschmidt) tem tido complicações desde o início. Uma série de problemas eléctricos que lhe fizeram perder muito tempo. O que aconteceu a Guerlain (Chicherit teve um acidente na 6ª etapa) é típico do que pode acontecer no dia que precede o repouso. Ele deu tudo por tudo. O Dakar exige muita paciência, é ele próprio que o diz. É o seu terceiro Dakar e tem ainda muito que aprender para tomar tantos riscos. Era o caso com Nasser (Al Attiyah) antes dele. Doravante o objectivo é colocarmos dois veículos no Top 10. Mas ainda pode acontecer muita coisa. Pode-se perder ou ganhar uma hora muito facilmente. O carro é suficientemente rápido mas há ainda pormenores a afinar. A questão é que devemos afastar a má sorte dos nossos carros. Não podemos esquecer que o nosso orçamento corresponde a 10 ou 20% do orçamento da Volkswagen. Aliás, estou muito surpreendido com os VW. Estão sempre a atacar, mas há que ter cuidado porque num Dakar um veículo tem uma boa memória e os problemas estão sempre à espreita.


    Dominique Serieys (Chef da equipa Mitsubishi) (automóvel)

    A situação mudou em relação ao ano passado. Este ano somos “caçadoresâ€. Devo felicitar a Volkswagen pela competitividade dos seus automóveis. A pressão não está sobre nós e atacaremos até ao fim. A etapa decisiva do rali situar-se-á sem dúvida entre Tambacounda e Dacar. Será a etapa das surpresos, pensamos. Era preciso chegarmos ao dia de descanso com diferenças de 15 a 20 minutos. Não estamos longe disso. Peterhansel teve problemas de embraiagem e Alphand não conseguiu ter uma única etapa sem atropelos. Não podemos refazer a corrida com lamentos. Continuamos a ser competitivos e contem connosco. Não estamos contrariados e nos próximos dias vamos estar presentes na corrida.


    Kris Nissen (Chefe da equipa Volkswagen) (automóvel)

    Até agora tem sido um prazer correr. O trabalho em equipa tem sido perfeito. Considero que a Volkswagen fez um passo na boa direcção. A corrida continua muito aberta e a luta continuará árdua até Dacar. Temos que manter o nosso ritmo e dar provas de muita prudência. Tenho imenso respeito pela Mitsubishi, mas ocupamos um lugar muito melhor do que no ano passado. A diferencia poderá ser mínima à chegada a Dacar. Ficaríamos imensamente contentes com 10 segundos de avanço à chegada, mas se chegarmos dois minutos depois também o aceitaremos. Ninguém pode sentir-se seguro em relação à classificação geral. É uma situação extraordinária para o desporto e para o espectáculo. Exceptuando os problemas de Ari (Vatanen), sinto-me feliz em poder dizer que não tivemos que empurrar os nossos automóveis. No passado, era necessário reagir em relação aos problemas surgidos na corrida. Não estávamos interessados em ganhar etapas, o que interessava era termos um Volkswagen à cabeça da prova. Era muito difícil controlar os pilotos, porque todos queriam ganhar. Este ano há um verdadeiro espírito de equipa. Pouco importa quem está na frente, todos os pilotos querem que a Volkswagen ganhe o Dakar.


    Jean-Louis Schlesser (FRA – Schlesser-Ford – Chefe de equipa (automóvel)

    Há muita coisa positiva nesta primeira semana de corrida, tendo em conta que ocupo sozinho o 6.º lugar no meio dos pilotos de fábrica e muito perto do 5.º lugar. Estou também encantado por ter ganho uma etapa e quase duas neste contexto de concorrência extrema do Dakar. O que me irrita são todos estes problemas de furos e de macaco que tive ontem e que me fizeram perder 45 minutos. Sem esses problemas estava hoje em 3º lugar. É essa a minha decepção, como também a primeira etapa portuguesa, onde comecei a perder tempo.


    Charly Gotlib (BEL - Man – Chefe de equipa) (camião)

    Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

    Chegamos a este dia de repouso com 3 camiões bem colocados na classificação. O 501 de Hans Stacey lidera a corrida, o 508 de Philippe Jacquot está em 6º lugar e o 516 de Franz Echter está em 12º. O comportamento deste camião é interessante, porque é o Man do futuro. Já está configurado segundo a regulamentação de 2008 e é um camião prometedor. Em princípio, a equipa está bem rodada. No 501, para nós os três é o 2º Dakar. Conhecemo-nos bem e avançamos com toda a confiança. No ano passado queríamos terminar no Top 5 e terminámos em 2º lugar. Este ano o objectivo é melhorar essa classificação.... A etapa de amanhã será determinante. Depois de passar Nema, poderemos começar a gerir a corrida à nossa maneira.


    Firdaus Kabirov (RUS - Kamaz – Chefe de equipa (camião)

    Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

    O acontecimento para nós é o abandono, por acidente, de Vladimir Chagin. É muito grave. Mardeeev, que é agora o nosso melhor camião, está abatido: sente-se órfão do nosso líder. Chagin era o nosso estandarte, sempre à frente. Quanto à corrida, não compreendemos porque é que os camiões são os últimos a partir. Seria melhor que eles partissem ao mesmo tempo que os automóveis, mesmo em termos de segurança. Daqui até Dacar vamos fazer a corrida a trabalhar com os co-pilotos e navegadores. Já estamos a preparar o futuro. Chegar ao pódio seria excelente, mas há uma meia dúzia de camiões que podem pretender o mesmo. Nestes moldes, a partida ainda não está ganha.