Dia de repouso - sábado 13 de Janeiro de 2007 | Atâr
Filme da etapa
Balanço - Motos: Todos atrás de Coma (moto)
É possível que a luta dos motards tenha sido confiscada a todos os grandes pilotos em proveito de um mini-campeonato de Catalunha, cujos protagonistas são Marc Coma e Isidre Esteve, irmãos de sangue, mas representantes das duas equipas rivais da KTM.
O detentor do título, autor de uma temporada impressionante concluída com um título de campeão do mundo, continua a sua demonstração no rali. O golpe com que assomou os seus adversários na etapa de Ouarzazate e que lhe permitiu assumir o comando da prova e ganhar a sua segunda especial do ano, distanciando os mais rápidos do bando de quase trinta quilómetros, é uma prova evidente da margem de que ele dispõe. Mesmo se o avanço de 10’47’’ que tem de Esteve não tem nada de impressionante em termos absolutos, a impressão de facilidade que emana de Coma afecta seguramente o moral dos seus concorrentes.
Ora, o seu rival anunciado no início do rali, Cyril Despres, que é um fervente adepto do método Coué, persiste em acreditar numa reviravolta da situação. Como a litania de complicações mecânicas de que tem sido vítima desde a partida em Portugal parece estar a terminar, o seu horizonte poderia eventualmente ficar mais claro. O sua forma física e a sua etapa impressionante para Atar são provas disso. O seu atraso de cerca de 3 quartos de hora não o incomodam. Quando aos azuis, eles podem contar sempre com o trio Esteve-Casteu-Despres, emboscado, sempre à espera. Caso o Coma tenha um dia menos risonho...
Um pouco mais abaixo na hierarquia, há uma viva luta entre os pilotos de 450 cm3. O chileno Francisco Lopez, que perseguia David Frétigné na classificação específica das "pequenas" motos, aproveitou-se dos dissabores mecânicos em série do piloto de Villefranche-de-Rouergue para passar para o comando na véspera do dia descanso. Com o 7.º lugar na geral em Atar, o seu novo rival é Helder Rodrigues, que aliás venceu a segunda etapa portuguesa. Está a um minuto de “Chaleco” na classificação geral.
Merecem uma menção especial as "ladies" da categoria feminina, dominada por Ludivine Puy, que ocupa o 50º lugar na classificação geral. Para além da concorrência, elas apresentam sobretudo, neste dia de descanso, um balanço provisório de 100% de sucesso, com seis motards femininas na corrida. A classificação dos amadores é liderada por Helder Rodrigues, ao passo que na dos “malles motos”, ou seja os motards sem assistência, está à cabeça o checo Martin Macek.
Balanço – Automóveis: Chegou a hora dos VW? * (automóvel)
É provável que 2007 seja a edição de uma mudança de era na hierarquia da corrida de automóveis e especialmente no que respeita à dominação dos Mitsubishi interrompida desde 2001. Não é nada descabido colocar a questão face ao excelente rendimento dos pilotos e dos veículos da Volkswagen, que se apresentam mais fiáveis e ao mesmo tempo mais afinados do que no ano passado para pretenderem à vitória final.
Quer seja Giniel de Villiers, líder da classificação geral após ter terminado o rali de 2006 como delfim de Alphand, quer seja Carlos Sainz, que parece aclimatar-se ao deserto após um ano de aprendizagem já bastante frutuoso, os dois líderes da firma alemã, que são igualmente os líderes da classificação geral, podem legitimamente esperar vencer. Até aqui, o programa dos Race Touareg é seguido sem falha. Se associarmos Carlos Sousa aos pilotos oficiais da marca, a situação é sobremaneira lisonjeira: cinco vitórias em sete etapas, quando a sua grande rival, Mitsubishi, não estreou ainda o contador de vitórias.
A equipa do detentor do título, Luc Alphand, que inscreveu na prova quatro veículos, todos eles candidatos à vitória final, reencontra-se, em Atar, numa situação crítica. Enquanto que o antigo esquiador e o detentor do recorde de vitórias, Stéphane Peterhansel, atrasados devido a problemas técnicos ou a pequenos erros estratégicos, se situam respectivamente a 24 e 33 minutos do Sul-Americano, Masuoka já regista um atraso de 1 hora e 11 minutos. Roma, que perdeu toda a esperança de vitória numa série de reviravoltas a seis quilómetros da chegada da especial, encontra-se a quase sete horas do primeiro. É verdade que a meta está ainda longe e os Mitsu continuam a pretextar que o pior está para vir. Todavia, as estatísticas – que são apenas estatísticas e não certezas – não são muito apaziguadoras para os Alphand e companhia. É necessário voltar aos primórdios do Dakar, 1989, para encontrar vestígios de um vencedor final, que neste caso é Vatanen, que não dominava a corrida no dia de descanso. Pior ainda, o último piloto que inverteu a situação após meio percurso, mudando o nome da equipa dominante, chama-se Patrick Zaniroli. Foi em 1985, ao volante de um Mitsubishi Pajero.
Os árbitros esperados do duelo Mitsu-VW já tiveram algumas decepções. Na BMW X- Raid, a nova recruta Jutta Kleinschmidt, atrasada devido a problemas técnicos, bem depressa compreendeu que neste Dakar está-lhe vedado o pódio. A marca era ainda dignamente representada por Guerlain Chicherit, 6.º lugar na geral, até ele ter saído da estrada numa série de cabriolas em direcção de Zouerat. Jean-Louis Schlesser, por sua vez, cumpriu a promessa atribuindo-se uma "uma vitória e meia", ao terminar a 17 segundos de Gordon em Zouerat. Mas os furos e um problema com o macaco na etapa de Atar comprometeram a realização do seu objectivo: chegar antes das “fábricas” a Dacar.
Em sexta posição, Schlesser domina mesmo assim a classificação dos buggys de duas rodas motrizes, à frente de Bernard Errandonea, décimo terceiro da classificação geral e primeiro amador na categoria automóveis. Em veículos de produção, Jun Mitsuhashi, num Toyota, ocupa o primeiro lugar, mas só tem cerca vinte minutos de avanço de Ronan Caboz (TOY), numa competição cujos lugares do pódio são extremamente caros: Caboz, Ratet (TOY), Belmondo (Nissan) e Strugo (NIS) situam-se todos num tempo de 18 minutos. Em solitários, Philippe Gache lidera no 30.º lugar da geral, mas já só lhe restam dois dos cinco buggys monolugares que inscreveu na prova.
Em camiões, os grandes favoritos abandonaram a luta precocemente, ficando assim anulado o tão esperado duelo entre os Kamaz e os Ginaf. Chagin abandonou a batalha ao sair violentamente, mas indemne, da estrada, ao passo que a família De Rooy foi afastada do debate devido a problemas técnicos. Hans Stacey, que foi o único a lutar com armas iguais contra Chagin em 2006, aproveitou a situação para recuperar a liderança da classificação geral. Agora, terá de observar de perto os segundos pilotos de Chagin e Rooy: Mardeev, que está a mais de duas horas, e Van Ginkel, a mais de três.
* Na sequência de um equívoco na emissão de uma mensagem radiofónica, foi publicada uma informação inexacta sobre o piloto Carlos Sousa (equipa 313).
Pedimos desculpa por essa má informação.